Estudiosos e filósofos se dedicaram à procura dos caminhos para alcançar a felicidade e nos deixaram conselhos e livros. O homem moderno pode abordar a busca da felicidade como um itinerário de estudo, e é descrito o tipo de instituição que o oferece Por fim, são mencionadas as duas mensagens do Oráculo de Delfos sobre a felicidade
- Felicidade depende de nós mesmos – Aristóteles;
- Felicidade é a mais alta forma de saúde – Dalai Lama;
- Felicidade é quando há harmonia entre o que você pensa, diz e faz – Mahatma Gandhi;
- Felicidade é o sentido e propósito da vida, a finalidade e objetivo da existência – Aristóteles de novo;
- Tua felicidade depende da qualidade de teus pensamentos – Marco Aurélio.
Frases que normalmente salpicam os livros de autoajuda. No entanto, por mais bonitas que sejam criam um problema que pode ser resumido como: “entre o dizer e o fazer está o mar”. Por exemplo, ter pensamentos de qualidade – muito bem, mas como tê-los? Meditando, estudando, nos distraindo, nos afastando de pensamentos tristes? Mas como evitar esses pensamentos tristes? Sendo felizes é claro. Mas a circularidade desse raciocínio salta aos olhos, não? Semelhante problema é criado pela frase de Gandhi – bonita e verdadeira; mas como realizar essa harmonia? A outra frase de Aristóteles – a felicidade depende de nós – é aparentemente simples mas sua realização é imensamente difícil. E assim por diante; são fórmulas simples que remetem a variáveis complexas que representam atos de difícil execução.
Mas nem tudo está perdido. Assim como conseguir dinheiro, poder, liderança, cultura, ser invejado, imitado, louvado e etc., ser feliz requer trabalho, tempo e dedicação.
Pode-se começar lendo no oceano de livros de autoajuda.

Preparação séria para um curso autodidata de felicidade
No meu post “Buscando ajuda ...” tratei desse útil, caridoso e generoso gênero, no qual podemos distinguir três subgêneros: ajuda existencial / ajuda profissional / ajuda espiritual. No entanto, lá quase não falei do gênero que conduz à felicidade. Nele há sub-subgêneros; por exemplo (reproduzo aqui títulos): A ciência da felicidade no trabalho (especialização da felicidade); Por trás da felicidade (???!); Felicidade conjugal (Não, não, esse é outra categoria, é um pequeno grande livro de Tolstoj, uma obra-prima que a Amazon colocou por engano entre as mediocridades de autoajuda!); A ciência da felicidade (vários títulos contém a palavra ‘ciência’, tá na moda no século XXI); Felicidade corporativa – como conciliar bem-estar e lucro (felicidade utilitária!!); Felicidade se aprende – lições dos especialistas; Felicidade – pra que? (estranho título que insinua haver algo além da felicidade), e outros mil títulos.
Bem, então olhos à obra. Mas nessa busca outro problema se apresenta: a pouca domesticidade que a maioria das pessoas têm com a leitura. Uma consolação é que o sub-subgênero felicidade é composto de livros fininhos e fáceis de ler, que raramente superam as 200 páginas; Aparentemente, fáceis são os caminhos para a felicidade. Devemos ainda lembrar que para pessoas irremediavelmente digitais, quase todos esses livros podem ser lidos no Kindle, portanto estarão em terreno conhecido.
Mesmo assim, papel ou tela de celular, o leitor que imagina que irá percorrer uma alameda sombreada por cerejeiras em flor, com a felicidade a lhe sorrir ao fundo, choca-se invés com uma rede de nomes difíceis: Spinoza, Chuang-tzu, Kant, Lacan, Buda, Csikszentmihalyi, Platão; cada um desfiando conceitos mais difíceis ainda. Quando chega à última página e o livro é fechado, percebe que a alameda sombreada é a trilha pedregosa da vida de todos os dias.
Livros são limitados e silenciosos (perdeu-se o costume de ler em voz alta), incorpóreos, analógicos, solitários e severos (não toleram desatenção – pena não entender nada ou ter que reler a página!).
Mas tem uma excelente alternativa, oferecida pela internet: cursos de felicidade on-line cientificamente desenhados para máxima eficiência e aproveitamento. Assim, a busca da felicidade toma a feição de uma atividade acadêmica séria, realizada por instituições importantes, nacionais e internacionais, que além da felicidade entregam comprovação da mesma, sob forma de certificados. Por exemplo, temos o Institute Happiness do Brazil, cujos cursos dão o título de Chief Happiness Officer do IHBr, o que certamente habilita o laureado a tornar outras pessoas felizes.
A busca de felicidade pode se dar em diferentes planos: desde minicursos para os que apenas desejam aprimorar seu quase suficiente nível de felicidade, até estudos superiores, tipo MsC ou PhD para os mais infelizes. Esses estudos incluem disciplinas como ‘Introdução ao estudo da felicidade’, ‘Leituras sobre florescimento’, ‘Facilitando a felicidade’ e semelhantes, sempre contendo o nome ‘felicidade’. Essas instituições são invariavelmente regidas por lideres ou gurus com nomes indianos, tibetanos, e de outras nacionalidades afinadas com o espiritual. Por exemplo, uma das mais conceituadas instituições oferece todos os níveis de estudo acima citados, e ainda inclui períodos presenciais de imersão em lugares que transpiram felicidade. Nesse ano, por exemplo, estão programadas uma semana na Finlândia e outra na Grécia, lugares adequados para estudos felizes. Sabe-se que na Finlândia, a vila de Korvatunturi é conhecida há muito tempo como a casa de Papai Noel, (Google). Papai Noel nos aproxima da felicidade da criança que espera com emoção a chegada do bom velhinho. E o que pode ser mais puro e cristalino que a felicidade infantil? Em seguida é a vez de Mykonos, uma ilha no Mar Egeu, que é popularmente conhecida pela sua atmosfera festiva no verão.

Mykonos – onde a felicidade é de casa
Praias como Paradise e Super Paradise têm bares tocando música no mais alto volume. Grandes danceterias, que normalmente ficam abertas até bem tarde atraem DJs mundialmente conhecidos (Google). Esse é um outro tipo de felicidade, a felicidade nascida da alegria e do consumo, compartilhável via uma profusão de selfies. Assim, Finlândia e Mykonos completam o círculo feliz da Missão desta instituição, que eu recomendo.
Mas o som dos bares e danceterias das praias Paradise e Super Paradise é tão alto, que além de encobrir o som do mar não deixa ninguém, nem mesmo os alunos da Escola da Felicidade ouvir as duas mensagens do oráculo de Delfos que nos foram transmitidas por Platão há mais de 2000 anos: (i) Conhece-te a ti mesmo – quantos que ensurdecidos pelo barulho exterior não conseguem olhar para dentro de si – não sabem quem são e o que querem; e (ii) Realiza tuas potencialidades mas na justa medida – sem querer supera-las.
Assim, (i) + (ii) = felicidade. Mas como (i) e (ii) são difíceis de realizar! Para quem não os resolver, nem mesmo os 66 mil dólares do curso de PhD da Happiness Institute serão suficientes.

